dez
01

O Trem da Vida

Você já andou de trem alguma vez?
Numa viagem de trem podemos notar uma grande diversidade de situações, ao longo do percurso.
E a nossa existência terrena, bem pode ser comparada a uma dessas viagens, mais ou menos longa.
Primeiro, porque é cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques, e grandes tristezas em algumas partidas.
Quando nascemos, entramos no trem e nos deparamos com algumas pessoas que desejamos, estejam sempre conosco:                                           São nossos pais.
Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos dos seus carinhos, amizade e companhia insubstituíveis.
Mas, isso não impede, que durante a viagem, outras pessoas especiais embarquem para seguir  viagem conosco: são nossos irmãos, amigos, amores e filhos.
Algumas pessoas fazem dessa viagem um passeio. Outras encontrarão tristezas, e algumas circularão pelo trem, prontas para ajudar a quem precise.
Muitas descem e deixam saudades eternas… Outras passam de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém percebe.
Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são caros, se acomodam em vagões distantes do nosso, o que não impede, é claro, que durante o percurso nos aproximemos deles e os abracemos, embora jamais possamos seguir juntos, porque haverá alguém a seu lado ocupando aquele lugar.
Mas isso não importa, pois a viagem é cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas.
O importante, mesmo, é que façamos nossa viajem da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com os demais passageiros, vendo em cada um deles o que têm de melhor.
Devemos lembrar sempre que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisemos entendê-los, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, certamente, haverá alguém que nos entenda e atenda.
A grande diferença, afinal, é que no trem da vida, jamais saberemos em qual parada teremos que descer, muito menos em que estação descerão nossos amores, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.
É possível que quando tivermos que desembarcar, a saudade venha nos fazer companhia…
Porque não é fácil nos separar dos amigos, nem deixar que os filhos sigam viagem sozinhos. Com certeza será muito triste.
No entanto, em algum lugar, há uma estação principal para onde todos seguimos.
E quando chegar a hora do reencontro, teremos grandes emoções em poder abraçar nossos amores e matar a saudade que nos fez companhia por um longo, tempo…
Que nossa breve viagem seja uma grande oportunidade de aprender e ensinar, entender e atender aqueles que viajam ao nosso lado, porque não foi o acaso que os colocou ali…
Que aprendamos a amar e a servir, compreender e perdoar, pois não sabemos quanto tempo ainda nos resta até a estação onde teremos que deixar o trem.
Se é verdade que você não pode mudar de vagão, é possível mudar a situação do seu vagão.
Se a sua viagem não está acontecendo exatamente como você esperava, dê a ela uma nova direção.
Observe a paisagem maravilhosa com que DEUS enfeitou todo trajeto…
Busque uma maneira de dar utilidade às horas.
Preocupe-se com aqueles que seguem viajem ao seu lado.
Deixe de lado as queixas e faça algo para que sua estrada fique marcada com rastros de luz.

Pense nisso… E, boa viagem!

Texto – Momento Espírita

nov
16

A VERDADEIRA PROPRIEDADE

Ary Brasil Marques

A Terra é uma escola onde os espíritos passam várias temporadas com a finalidade de aprender e buscar a perfeição. A maioria dos habitantes atuais de nosso planeta ainda está em fase de valorização do ter ao invés do ser.

Isso explica a alegria que o ser humano tem ao adquirir um bem material, na doce ilusão de posse. Digo doce ilusão porque na verdade ninguém no planeta tem nada. As propriedades,
os cargos elevados, os altos salários e a posse de riquezas terminam com a morte do corpo físico.

O espírito imortal recebe de Deus várias oportunidades de aprendizado, e através da reencarnação com vidas sucessivas utilizando corpos físicos diferentes, ele vai se depurando, evoluindo, crescendo, aprendendo.

Depois de algum tempo, descobre o espírito que a verdadeira propriedade ele a tem em ser e não em ter. Ao voltar para o plano espiritual, no término de cada missão terrena, os valores que leva para lá são os valores morais que adquiriu na prática do bem e do amor ao próximo. Assim, quem utiliza em sua vida do amor como forma de viver, é mais rico do que aquele que possui fortunas em bens materiais.

Uma famosa história nos conta que havia um rei de poderoso país que, apesar de possuir uma imensa riqueza e viver em palácio rodeado de ouro e pedras preciosas, vivia amargurado.

Ele não se sentia feliz e vivia em profunda depressão. Na tentativa de alcançar a alegria de viver, mandou pelo mundo afora alguns mensageiros para que eles encontrassem alguém que fosse feliz para que essa pessoa lhe emprestasse sua camisa para assim, também ele, Rei, pudesse ser igualmente feliz.

Os mensageiros do Rei saíram pelo mundo. Visitaram cidades grandes e pequenas, observando as criaturas. Em todos havia sinais de preocupação, de insegurança, de medo do futuro, de revolta contra os seus governantes, de tristeza.

Já iam desistir, quando passaram pelo cais do porto, onde vários trabalhadores  estavam carregando sacos de café para o interior de um navio mercante. Notaram que um daqueles homens fazia o seu trabalho cantando, sorrindo e muito alegre.

Resolveram entrevistar aquele homem e perguntar a ele se o mesmo era feliz. Caso afirmativo, iriam lhe convidar para ir com eles até o Rei. Fizeram a ele a pergunta, e o homem, mantendo o seu bom humor, disse que era realmente feliz.

O homem feliz morava em modesta casinha perto dali, e vivia alegre e cantando mesmo tendo que fazer aquele trabalho pesado de todos os dias. Os mensageiros do Rei exultaram.

Finalmente poderiam cumprir as ordens do Rei. Iriam levar o homem feliz ao Rei. Pediram a ele que levasse sua camisa para o Rei. O homem então disse que isso não seria possível.

O homem feliz não possuía camisa.

nov
13

Tenha uma ótima semana junto a Rádio Síntese – WEB, confira abaixo

Tenha uma ótima semana junto a Rádio Síntese – WEB, confira abaixo

Segunda-feira, 14/11/11,
10h00 – Conto – “Amor e Vida”
11h00 – Raul Teixeira – tema: “Desenvolva Sua Alegria”
13h00 – Momento Musical – Andrea Bocelli
23h00 – Raul Teixeira – tema: “Desenvolva Sua Alegria”

Terça-feira, 15/11/11,
10h00 – Conto – “A Ficha”
11h00 – Divaldo Franco – tema: “Brasil, Coração do Mundo”
13h00 – Momento Musical – Andy Willians
23h00 – Divaldo Franco – tema: “Brasil, Coração do Mundo”

Quarta-feira, 16/11/11,
10h00 – Conto – “Grande Cabeça”
11h00 – André Luiz Ruiz – tema: “O Momento de Transição”
13h00 – Momento Musical – Doris Day
23h00 – André Luiz Ruiz – tema: “O Momento de Transição”

Quinta-feira, 17/11/11,
10h00 – Conto – “Seara de Ódio”
11h00 – Dalva Silva Souza – tema: “Educação”
13h00 – Momento Musical – Elvis Presley
23h00 – Dalva Silva Souza – tema: “Educação”

Sexta-feira, 18/11/11,
10h00 – Conto – “Veneno Livre”
11h00 – Décio Iandoli Jr. – tema: “Reencarnação e Medicina”
13h00 – Momento Musical – Nat King Cole
23h00 – Décio Iandoli Jr. – tema: “Reencarnação e Medicina”

Sábado, 19/11/11,
11h00 – Divaldo Franco – tema: “Conflitos Conjugais”
23h00 – Divaldo Franco – tema: “Conflitos Conjugais”

Domingo, 20/11/11,
11h00 – Richard Simonetti – tema: “Reuniões Mediúnicas”
14h00 – Jovens Tardes de Domingo – (Recordando Sucessos da Jovem Guarda)
23h00 – Richard Simonetti – tema: “Reuniões Mediúnicas”

set
18

Albert Schweitzer – Revista Seleções Outubro de 1954

Uma Visita a Albert Schweitzer Revista Seleções Outubro de 1954

O privilégio de servir! Os anos enrugam a pele, mas renunciar ao entusiasmo faz enrugar a alma.

Tal o cenário de uma das mais famosas iniciativas missionárias do mundo – o hospital do Dr. Albert Schweitzer na floresta. Schweitzer é, incontestavelmente um grande homem. Um dos maiores da nossa época ou de qualquer época.
Dada a sua elevação e a multiplicidade de aspectos de sua personalidade. não é fácil conhecê-lo. É um “homem completo” como Leonardo da Vinci e Goethe foram homens completos.
Seguiu quatro carreiras diferentes – Filosofia, Medicina, Teologia e Música. Escreveu livros eruditos sobre Bach, sobre Jesus e sobre a história da civilização, e é a maior autoridade do mundo em estrutura de órgãos, sendo ao mesmo tempo um dos mais famosos organistas vivos.
O Dr. Schweitzer conhece também mais a fundo do que muitas homens que dedicaram a vida a essas questões Estética, Zoologia Tropical, Antropologia e Agricultura; e é perito carpinteiro, pedreiro, veterinário, construtor de barcos. dentista, desenhista, mecânico, farmacêutico e jardineiro. É, com efeito, um homem completo!
Para tornar compreensível a carreira de Schweitzer em Lambaréné, precisamos retroceder às origens. Nascido na Alsácia, em 1875, Alberto Schweitzer foi uma criança doentia, em contraste com a fenomenal robustez que adquiriu depois.

Em música foi um autêntico prodígio. Compôs um hino aos sete anos, começou a tocar órgão aos oito, quando suas pernas mal alcançavam os pedais, e aos nove anos serviu de substituto do organista efetivo numa cerimônia religiosa.
Logo que se fez homem começou a exercer paralelamente três das suas quatro vidas profissionais. Estudou Filosofia na Universidade de Estrasburgo e conquistou o primeiro doutorado com uma tese sobre Kant. Estudou Teologia, e em 1900, aos 25 tornou-se pároco da Igreja de São Nicolau, em Estrasburgo.
Estudou a teoria da música e começou sua carreira como concertista de órgão. Aos 26 anos, tinha diplomas de doutor em Filosofia, Teologia e Música. Enquanto isso começou a escrever uma série de livros, que nunca cessou.
Depois, com 30 anos, largou abruptamente suas três carreiras para estudar Medicina e partir para Lambaréné para o resto da vida como missionário-médico.
Por que Medicina? Ele mesma explica: porque estava cansado de palavras e queria ação. E por que Lambaréné? Porque era um dos lugares mais inacessíveis e primitivos de toda a África, um dos mais perigosos, e porque lá não havia médico.
Parentes e amigos procuraram dissuadi-lo, mas ele responde que se sentia obrigado a “dar alguma, coisa em troca” da felicidade de que gozava. Estava obedecendo literalmente à palavra de Jesus: “Qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim… esse a salvará.” E como pregava sempre que “os idealistas deviam ser moderados nos seus propósitos”, Schweitzer tinha plena consciência das dificuldades que ia enfrentar.
Dedicou-se ao estudo da Medicina de 1905 a 1912 e, finalmente, com 38 anos de idade, terminou o curso. Esses anos foram os mais difíceis e fatigantes da sua vida. Um curso de Medicina já é por si só uma coisa que exige muito esforço; pois, ainda assim, ele arranjou jeito de continuar ensinando Filosofia, prosseguiu nas suas atividades como pároco da Igreja de São Nicolau, começou a trabalhar numa edição de Bach, enquanto dava concertos de órgãos incessantemente
Casou-se em 1922. Sua esposa, judia, filha de um conhecido historiador de Estrasburgo, aprendeu enfermagem. para poder ajudá-lo na África.
Albert Schweitzer construiu seu hospital do nada, praticamente com as próprias mãos.
Uma das biografias de Schweitzer informa que, às vezes, eles comiam os unguentos receitados para afecções da pele, bebiam de uma vez um vidro de remédio destinado a durar semanas ou tentavam envenenar outros internados. Depois da morte de um paciente que chegou tarde demais ao hospital, Schweitzer tornou-se suspeito de ser um leopardo disfarçado, que tirava vidas intencionalmente; Uma vez ele se deixou cair muna cadeira e gemeu:
– Que imbecil eu fui de vir para cá tratar de selvagens como estes!
Atualmente, não é muito difícil chegar até Schweitzer: a Air France mantém uma linha regular com muitas paradas, que toca em Lambaréné várias vezes por semana. Eu e minha mulher desembarcamos no aeroporto e fomos recebidos por Miss Emma Haussknecht, uma enfermeira alsaciana que trabalha com Schweitzer desde 1925. É uma espécie de gerente-geral da instituição e serve o doutor como intérprete, do francês ou do alemão, para o inglês.
Depois de nos conduzirem às nossas acomodações, Miss Haussknecht levou-nos por um caminho enlameado, através do mato e por entre árvores frutíferas, em direção à nova aldeia de leprosos que Schweitzer está construindo. Finalmente, perto de uma clareira, o próprio Schweitzer veio ao nosso encontro.
Tem um vigoroso nariz aquilino, bigode grisalho pendente e olhos que fitam realmente a pessoa. É de compleição robusta e usava um capacete para proteger-se contra o sol, camisa branca aberta no peito; calças remendadas e grossos sapatos pretos.
É um rosto magnífico, e ele é um homem de aspecto maravilhoso Schweitzer conduziu-nos até à aldeia de leprosos, onde vivem os doentes mais graves. Aí o velho doutor imediatamente entrou em ação dando ordens a uma turma de trabalhadores; Schweitzer começa e termina cada dia com essa ocupação.
É preciso que alguém se incumba disso. Os leprosos não estavam tão doentes que não pudessem trabalhar; era apenas preguiça e dormência, devido ao tédio e à indiferença. Schweitzer encaminhou-se para o meio deles com grunhidos explosivos e exortativos. Ele mesmo pegou numa pá e começou a entoar uma espécie de cantilena para marcar o compasso do trabalho de escavações.
O Mundo de hoje conta com bem poucas personalidades que possam ser consideradas valores decisivos para os decisivos da humanidade, espíritos capazes de colocar o exemplo de suas próprias vidas como garantia máxima de que outros processos e outros métodos, em tudo diferentes dos que estão sendo usados por toda a parte, possam ser adotados na solução dos problemas internos e externos de diferentes povos.
Albert Schweitzer é um desses raros. Favorecido desde o berço com um ambiente de paz e de felicidade na casa paterna, cercado em sua mocidade de um prestígio capaz de desnortear outros jovens que não o bem humorado e discreto estudante universitário, era bem o tipo de uma vida de elite que podia facilmente ter procurado nos requintados centros de cultura da Europa uma glória cômoda e fácil.
Não estava, porém, no seu espírito viver assim. Se a inteligência ardia por uma realização ampla e forte da vida, o coração firme e audaz adivinhava a grandeza da missão que o destino lhe reservara. Voltava os olhos para a África, vendo na miséria das selvas o mesmo mundo infeliz e desamparado que cativara para sempre o coração generoso do bravo Living Stone. Era lá que estava o campo de batalha onde o seu profundo ideal humanista encontrará necessária e oportuna aplicação.
- Pedro de Almeida Moura, professor da universidade de São Paulo, no prefácio ao livro de Albert Schweitzer. Decadência e Regeneração da Cultura, Ed. Melhoramentos, 1948.
‘’Allez-vous OPP! Allez-vous OPP-upp-OPP! Hupp, upp, OPP!” O hospital surpreende alguns visitantes, que esperam um asséptico recanto de tranquilidade, espiritualidade e vida extra mundana. N’a realidade ele parece aquilo que realmente é uma aldeia nativa. Os pacientes vêm de grandes distâncias, muitas vezes com as famílias.
O acampamento está situado numa pequena elevação e tem 45 ou mais construções, todas simples e funcionais. O hospital conta entre 350 e 400 pacientes africanos e 75 auxiliares africanos remunerados, alguns deles leprosos. (A lepra é provavelmente menos contagiosa do que a tuberculose.) Não há caminhos nem estradas calçadas. Não há água corrente, nem eletricidade a não ser na sala de operações, e não há raios X.
Parece haver em torno maior número de animais do que de seres humanos. O hospital tem cerca de 150 cabras, e há toda a espécie de criaturas, como periquitos e um filhote de mandril. Perto do salão de jantar há um porco selvagem numa ala e um macaco acorrentado a uma árvore. Quatro graciosos antílopes vivem num tosco cercado de arame; o doutor lhes dá de comer todas as noites depois do jantar.
O que parece corresponder à principal enfermaria do hospital é uma longa estrutura de um andar, dividida em quartos estreitos e escuros, cada um dos quais dá para um pátio.
Os pacientes estão deitados em jiraus cobertos de esteira. Do lado de fora de cada porta arde uma pequena fogueira fumacenta, onde a família do doente prepara a comida. É bom manter essas fogueiras acesas, pois afastam os mosquitos e assim diminuem a incidência da malária e da moléstia do sono
Quando o paciente não tem família e não está em condições de poder ele próprio cozinhar, torna-se um problema. Os enfermos em geral não aceitam comida de ninguém que não pertença à sua tribo, com medo de serem envenenados.
Schweitzer já salvou milhares de vidas, o que é tanto mais extraordinário quanto há a considerar o primitivismo e a pobreza de seu equipamento. Que eu visse, não há qualquer espécie de mecanismo para esterilização de ataduras sob pressão; é preciso ferver água sobre fogueiras de lenha.
Durante anos, houve falta de drogas e ataduras. Todo o alfinete de segurança é precioso. Coisas que se consideram normalmente parte integrante de um hospital são objetos de assombro, quando existem.
Disseram-me que Schweitzer não gosta de complicadas invenções modernas. Para começar, a sua manutenção é difícil num clima tropical. Que adianta ter sacos de água quente, se apodrecem numa semana? Além disso, ele quer que os africanos se sintam à vontade, em circunstâncias que lhes dêem a impressão de estarem em casa.
Uma manhã espiamos para dentro da sala de operações; era espantoso que do pátio se pudesse olhar diretamente lá para dentro. Sobre a mesa estava um paciente nu, com mercurocromo escorrendo do abdome. O médico que fez a operação – uma hérnia comum – foi almoçar uma hora mais tarde.
Não tivera tempo de lavar-se completamente e sentou-se à mesa em mangas de camisa, com os braços ainda rubros de mercurocromo. Não quero dizer com isso que a cirurgia no hospital de Schweitzer seja rústica ou incompetente. Ao contrário, é cirurgia de alta classe.
A vida do hospital gira em torno de uma área descoberta, e sempre cheia, perto do salão de jantar. Há um vaivém de africanos, carregando seus produtos em carretas primitivas. Mulheres agachadas no chão amarram folhas de palmeira para cobertura de casas, outras trabalham em máquinas de costura numa varanda, e outras ainda passam roupa com primitivos ferros cheios de brasas. O doutor anda de um lado para outro no meio dessa ordenada animação, providenciando para que todos trabalhem. A atividade é extraordinariamente intensa.
Embora não seja imposta francamente, a disciplina no hospital é bastante rigorosa. Se ocorre algum distúrbio, os litigantes são chamados ao gabinete do Dr. Schweitzer, um de cada vez. Com os olhos fechados, o doutor lhes diz qual é a sua ordem : “Faça isto” ou “Não quero mais aquilo”, sem permitir desculpas ou explicações.
Por vezes, Schweitzer chega a ser ditatorial, afetado e irascível. E por que não ? Se não tivesse defeitos, seria intolerável.
O chefe da clínica de Lambaréné é húngaro (Schweitzer, aos 79 anos, já não exerce tão ativamente a Medicina) ; outro é um dos sobrinhos de Schweitzer. As enfermeiras, todas europeias, parecem tão tímidas, devotas e afastadas do mundo exterior como freiras. Uma delas me disse que – gozam geralmente de boa saúde, mas que apanham malária com mais facilidade quando ficam muito cansadas, depois de tratarem pacientes europeus, porque estes precisam sempre de mais cuidados do que os africanos. (Os europeus vêm, na maioria, de acampamentos de lenhadores das proximidades e têm acomodações separadas no hospital.) Diga-se de passagem que Schweitzer nunca viu um caso de apendicite num africano e o câncer é praticamente desconhecido
A atitude de Schweitzer para com os africanos é um misto de benevolência, perplexidade, irritação, esperança e desespero. São tantos os desamparados, tantos os que não têm o menor senso de responsabilidade, ou prazer na realização. Diz ele que os africanos não têm absolutamente nada que fazer depois que terminam o trabalho à tarde, mas que nunca lhes ocorre pescarem no rio… embora precisem de mais proteína. Se aprendem alguma coisa, afluem imediatamente para as cidades e procuram ser estenógrafos.
Schweitzer cultiva quase todas as espécies de frutas. Mas devido a uma arraigada superstição nativa, segundo a qual um homem que planta uma árvore frutífera morre antes que ela dê os primeiros frutos, tem sido obrigado a plantar e tratar a maioria das árvores com as próprias mãos.
São facilmente desculpáveis suas irritações com os africanos que, por estupidez ou preguiça, não o ajudam a cuidar das suas árvores. Disse ele :
– Eu ponho aqui uma manga, ali uma banana, mais além uma fruta pão. Os africanos não sabem distinguir uma árvore da outra. Explico-lhes. Eles se afastam e, quando chegam ao rio, passados dez minutos, já esqueceram.
Tive a impressão de que ele não acredita muito na capacidade dos africanos – pelo menos nos da sua zona – para um governo autônomo.
Detesta a opressão e acredita piamente na fraternidade do homem. Mas tem pouco contato direto com muitas das violentas tensões da África moderna e sua ânsia de progresso político.
Estivemos sentados no jardim em caixotes virados, discutindo sobre estes e outros problemas. Passavam rapazes carregando baldes d’água.
Um deles caminhava lentamente e o doutor voltou-se para ele com um apelo resignado e exasperado : – Uoulez-vous marcher? VOULEZ- vous!
Um segundo depois, ele nos dizia que a única maneira de chegarão africano era “pelo coração”. Às refeições, Schweitzer senta-se no centro de uma longa mesa, com os convidados de honra em frente.
No momento de começar a refeição, diz uma breve oração em francês; logo depois do jantar (nenhuma refeição dura mais de meia hora), anuncia em voz estentórea um hino, e são distribuídos livros de hinos.
Marcha então para um minúsculo piano, numa das extremidades da sala, e toca brevemente, mas com grande vigor e precisão, enquanto os demais presentes cantam. Depois volta para seu lugar na mesa, inspeciona uma lista de textos bíblicos, abre bruscamente uma Bíblia e lê algumas linhas.
Schweitzer é um conversador extremamente incisivo, vivo e autorizado, mas raramente fala durante as refeições. A explicação, perfeitamente válida, é que está muito cansado.
Depois do jantar, os médicos e as enfermeiras reúnem-se em um canto da longa sala e tomam chá de canela, Uma noite Schweitzer nos fez companhia até depois das nove horas. Ao sair da sala de jantar, enche os bolsos de pedacinhos de comida para dar aos antílopes.
A seguir – depois que desce o silêncio sobre o resto do acampamento – ele trabalha até meia-noite ou mais tarde ainda escrevendo ou respondendo cartas. Uma vez assombrou os guardas da Alfândega de Bordéus ao embarcar num navio com alguma correspondência que não fora respondida. Enchia quatro sacos grandes.
Quando partiu para a África, Schweitzer pensou que estava abandonando para sempre as coisas que lhe eram mais caras – a arte e o ensino. Mas sempre teve um piano consigo na África e assim pôde manter em dia a sua música.
Depois da Segunda Guerra Mundial, suas gravações de Bach em órgão (feitas durante umas férias que passou na Europa) têm obtido grande êxito artístico. Cada vez que volta à civilização, faz uma longa série de conferências, e tem sido homenageado por universidades sem conta. Além disso, trabalhando à noite, tem conseguido manter uma produção literária constante. O ano passado, foi lhe conferido o prêmio Nobel de Paz de 1952.
Tem um penetrante sentido de valores e um bom e sarcástico senso de humor. Quando visitou os Estados Unidos, pela primeira e única vez, em 1949, para assistir ao Festival de Goethe em Aspen, Estado de Colorado, mostrou-se muito lisonjeado Schweitzer. Não tocou especialmente para nós. Ele toca todas as noites, principalmente quando tem os olhos cansados. Disse há pouco tempo a um visitante:
“Toco para os meus antílopes.”
Mas foi um fascinante privilégio ouvi-lo tocar, e essa imagem dele, sentado ao velho piano maltratado, no meio da floresta silenciosa e ameaçadora, é que eu guardarei melhor – a imagem daquele velho e irascível Bismarck do espírito, desse tirano com coração de ouro.
Ao longo da codificação espírita Allan Kardec situa o EGOÍSMO como elemento gerador de todos os males humanos. Ao proclamar que fora da caridade não há salvação, oferece-nos o roteiro para que o vençamos. Preocupando-nos em socorrer o próximo começamos a derrotá-lo. A duras penas vamos aprendendo essa lição.
Espíritos como Albert Schweitzer não precisam de orientação nesse sentido. Perfeitamente integrados nos objetivos da existência, já nascem com a vocação de trabalhar em favor do próximo. Desconhecendo o egoísmo, mal podem esperar pelo privilégio de servir.
Albert Schweitzer
Desconhecendo o egoísmo, mal podem esperar pelo privilégio de servir.

jul
03

CAMINHOS

Ao chegar ao planeta Terra, encontramos em nossa frente uma infinidade de caminhos para nossa escolha. Para seguir um desses caminhos, além da bagagem espiritual que trazemos de nossas experiências, na infinita passagem de vidas sucessivas, recebemos a influência de nossos pais, parentes, colegas e amigos, da televisão, dos filmes e novelas, dos livros e revistas e do exemplo positivo ou negativo de nossos semelhantes.

Na Terra, há caminhos de estudo e de desenvolvimento do ser, como há caminhos tortuosos que podem levar o homem aos vícios, como alcoolismo, tabagismo, ao sexo depravado, e às drogas que trazem sofrimento e morte prematura. Há caminhos que buscam a Deus por meio de diversas religiões, segundo o pensamento de seus líderes e dirigentes.

O ser humano tem o livre arbítrio para escolher o caminho que irá percorrer, e vai colher o resultado dessa escolha. Tudo faz parte de um aprendizado necessário para a evolução do espírito, que um dia alcançará a perfeição.

O ser mais perfeito que passou pelo mundo, Jesus Cristo, nos disse ser ele o caminho, a verdade e a vida e que ninguém irá ao Pai senão por ele.

Que caminho é esse? Será um caminho de rituais e dos hábitos das religiões? Dependerá da nossa presença e assiduidade nas cerimônias religiosas?

Vamos ver na trajetória de Jesus no planeta o que ele nos ensinou como base fundamental de seu caminho.

Em toda a passagem do Mestre pela Terra, o grande ensinamento que ele nos legou é de que devemos amar a Deus sobre todas as coisas, com toda a nossa força e entendimento, e também amar aos nossos semelhantes como a nós mesmos.

Basta amar. Amar muito. Amar incondicionalmente.

Quem ama não agride os outros; não rouba; não mata; não calunia; respeita a opinião dos outros por saber que estamos em estágios diferentes. Sabe que cada um tem o conhecimento que já adquiriu e que todos um dia alcançarão a perfeição.

Quando todos seguirem esse caminho de luz, não teremos mais guerras nem violência, e a Terra alcançará a posição de planeta de regeneração e será um mundo d paz.

SBC, 03/07/2011.

jun
22

ANALISANDO O PERDÃO

Ary Brasil Marques

Nós, habitantes do Planeta Terra, ainda somos muito imperfeitos, o que explica o grande número de agressões e ofensas que fazemos contra o nosso semelhante.
Com muita frequência, seres humanos agridem-se uns aos outros, e uma das palavras que se ouvem é o pedido que se faz de perdão ou de desculpas para os ofendidos.
Geralmente, o ofensor pensa que o simples perdão da pessoa ofendida remove o mal que lhe fizemos.
Quando ofendemos os nossos semelhantes, não basta recebermos dele a palavra eu te perdôo. Todo o mal que fizemos a ele precisa de uma ação positiva de reparação. Só depois dessa reparação, ai sim,  o ato que cometemos será anulado.
No caso, por exemplo, dos males que tenhamos causado a eles pela calúnia atingem verdadeiras multidões, pois esse tipo de ofensa se espalha aos quatro ventos.
Uma história existente no livro “E para o resto da vida” de Wallace Leal Rodrigues serve como exemplo do que estou afirmando.
A mãe de uma criança percebeu que seu filho tinha o hábito de mentir a respeito de seus coleguinhas, e o pior que seus comentários se espalhavam rapidamente, causando danos na reputação de seus amigos.
Ela estava sentada no quintal de sua casa, em um dia de intensa ventania. Pediu ao seu filho que lhe trouxesse um travesseiro de penas que estava no quarto e uma tesoura.
Deu-lhe também um travesseiro vazio, novo, e disse-lhe para abrir com a tesoura o travesseiro velho e colocar no novo as penas existentes.
A tarefa se mostrou impossível, pois o vento levou para longe todas as penas, não sendo possível mais recuperá-las.
A mãe aproveitou para explicar ao filho que as palavras, quando pronunciadas, são levadas para o mundo, e aquelas inverdades faladas contra nossos semelhantes, vão causar a eles muitos prejuízos, pois mentiras são faladas como verdades, prejudicando a sua reputação.
O pior de tudo é que essas palavras não podem ser recolhidas novamente, e fica uma tarefa impossível reparar o mal que se fez.
Nesse caso, não se consegue obter o perdão completo, pois falta a reparação ao mal. Isso faz com que o ofensor receba de volta, pela Lei de Ação e Reação, as conseqüências de seus atos.

SBC, 21/06/2011.

jun
14

A PROMESSA

Há pessoas que procuram agradar a Deus, fazendo promessas a Ele.
Essas promessas são em sua maioria uma maneira de se propor ao Criador uma barganha, uma troca. Prometendo algo, por exemplo, um sacrifício pessoal, como subir de joelhos a escadaria da Igreja da Penha ou a renúncia de coisas que gosta, o Pai vai lhes atender em um pedido de cura ou de solução para problemas amorosos ou financeiros.
Em primeiro lugar, Deus, que é Pai amoroso de todos os seus filhos, nos ama intensamente e sempre atende aos mesmos os rogos que lhe fazem, embora não o faça da forma que queremos e sim de maneira a proporcionar a esse filho o que ele precisa em sua trajetória evolutiva. Por outro lado, Deus não se compraz em ver seus filhos sofrerem.
Já que muitos acreditam em promessas, eu, que não acredito, vou lhes dar uma sugestão: Prometam não roubar, não sonegar impostos, não mentir, não caluniar os outros, não ter inveja dos semelhantes, não ter ciúmes excessivos, prometam deixar de fumar, de beber, de usar drogas; prometam não maltratar os animais, não desperdiçar água, não destruir as florestas, prometam dar um pouco de seu tempo ao trabalho voluntário em organizações assistenciais ou religiosas, prometam, enfim, amar o semelhante sem distinção de raça, partido político, religião, nacionalidade ou orientação sexual.
Certamente, Deus ficará contente com seu filho que age dessa forma, pois foi exatamente para que alcançássemos um dia a perfeição que Ele nos criou.
Agindo assim, independente de promessas, estaremos todos unidos, fazendo o bem e nos amando uns aos outros, em breve transformaremos o nosso planeta Terra em um mundo feliz, pleno de paz e harmonia.
Somos todos irmãos, e Deus, independente de como é chamado por cada um, como Deus, Jeová, Alá Tupã ou outro nome, nos ama igualmente.

Ary Brasil Marques
SBC, 13/06/2011.

jun
09

A VINGANÇA

O Planeta Terra está passando por uma grande transformação, que vai proporcionar ao mesmo o ingresso em uma fase de progresso e de desenvolvimento espiritual.
Durante essa fase, o homem busca pouco a pouco se livrar dos maus sentimentos que caracterizam o ódio e o desamor ao semelhante.
O ser humano ainda guarda os ensinamentos de Moisés que fizeram parte das orientações destinadas ao povo inculto da época e que davam ênfase ao castigo do olho por olho e dente por dente, próprio das gerações materialistas que utilizavam a vingança e não ao amor incondicional ensinado por Jesus.
Ainda hoje vemos com freqüência o desejo de se fazer justiça com as próprias mãos e a prática de matar, de castigar os inimigos.
O caso de Osama Bin Laden nos mostra o quanto a humanidade precisa ainda caminhar para seguir Jesus. A morte de Bin Laden foi noticiada pelos aparelhos de televisão com manifestações de imensa alegria por parte dos locutores e grande felicidade por parte de todos.
Foi uma execução. Não houve um julgamento, não se deu ao réu o direito de defesa. Alguns mandaram simplesmente matar o inimigo. Outros se alegraram com a morte de uma pessoa. O sangue da vítima foi carreado de ódio, de vingança, de punição pelo triste episódio das Torres Gêmeas.
Formou-se um círculo de ódio, do desejo de punir o terrível inimigo da sociedade.
Somos juízes, promotores e algozes. Não podemos olhar para um inimigo mortal como se olha um irmão. Não, ele não é nosso irmão. Será que não é filho do mesmo Deus nosso?
Dizem que ele matou. Dizem ser ele um monstro. Monstros devem ser liquidados, destruídos, eliminados. Somos os donos da verdade. Ontem fomos vítimas, hoje somos os algozes. Quem mata deve morrer. Nós assim o decretamos. O amai-vos uns aos outros só devem ser aplicados aos nossos amigos e correligionários.
Quem não for por mim, é contra mim. Eliminar o inimigo como se faz com uma barata vai encher de satisfação aqueles que estão do lado de cá e matar nesse caso não é crime, é justiça.
Quem somos nós para isso? Só vale a nossa verdade.E quem se compraz na eliminação dos inimigos está praticando os mesmos atos condenados do mesmo.
Ao contrário disso, Jesus, em sua magestade, preconiza um mundo de paz e de amor, e os homens só alcançarão essa paa o dia em que pelo amor e pelo perdão se fizerem credores dele.

SBC, 8 de junho de 2011.

Ary Brasil Marques

mar
20

Tenha uma ótima semana junto a Rádio Síntese – WEB, confira abaixo o destaque especial da semana 21/03 a 27/03.

Segunda-feira, 21/03/2011,
10h00 – Ultimo capítulo da Novela  “Há 2000 anos”
11h00 – Raul Teixeira – tema: “Pertubações Religiosas”
13h00 – Momento Musical – André Kostelanetz e orchestra
16h00 – Novela – “Há 2000 anos”, Último capítulo
22h00 – Novela – “Há 2000 anos”, Último capitulo
23H00 – Raul Teixeira – tema: “Pertubações Religiosas”
 
Terça-feira, 22/03/2011,
10h00 – Estréia do capítulo 1 da Novela, “50 Anos Depois”
11h00 – Divaldo Franco – Respondendo Perguntas dos ouvintes
13h00 – Momento Musical – Bert Kaempfert e orchestra
16h00 – Estréia do capítulo 1 da Novela, “50 Anos Depois”
22h00 – Estréia do capítulo 1 da Novela, “50 Anos Depois”
23h00 – Divaldo Franco – Respondendo Perguntas dos ouvintes
 
Quarta-feira, 23/03/2011,
10h00 – Novela – “50 Anos Depois”
11h00 – Raul Teixeira – tema: “Desenvolva Sua Alegria”
13h00 – Momento Musical – Caravelli e orchestra
16h00 – Novela – “50 Anos Depois”
22h00 – Novela – “50 Anos Depois”
23h00 – Raul Teixeira – tema: “Desenvolva Sua Alegria”
 
Quinta-feira, 24/03/2011,
10h00 – Novela – “50 Anos Depois”
11h00 – Divaldo Franco – tema: “Transtornos da Afetividade”
13h00 – Momento Musical – Cid Gray e orchestra
16h00 – Novela – “50 Anos Depois”
22h00 – Novela – “50 Anos Depois”
23h00 – Divaldo Franco – tema: “Transtornos da Afetividade”
 
Sexta-feira, 25/03/2011,
10h00 – Novela – “50 Anos Depois”
11h00 – Raul Teixeira – tema: “O Sentido Mediúnico”
13h00 – Momento Musical – Dilermando Reis
16h00 – Novela – “50 Anos Depois”
22h00 – Novela – “50 Anos Depois”
23h00 – Raul Teixeira – tema: “O Sentido Mediúnico”
 
Sábado, 26/03/2011,
11h00 – Divaldo Franco – tema: “Respostas aos Jovens”
23h00 – Divaldo Franco – tema: “Respostas aos Jovens”
 
Domingo, 27/03/2011,
11h00 – Raul Teixeira – tema: “Valorize-se Para Crescer”
14h00 – Jovens Tardes de Domingo (Sucessos da Jovem Guarda)
23h00 – Raul Teixeira – tema: “Valorize-se Para Crescer”

mar
19

MARIA JOSÉ CEZARINI MARQUES

MARIA JOSÉ CEZARINI MARQUES B I O G R A F I A

Abro a porta do arquivo De nosso livro de esperanças Leio e releio todo o livro De imorredouras lembranças. Maria José nasceu em 6 de maio de 1935, na cidade de Araraquara, Estado de São Paulo. Era a filha mais velha de Alfredo Cezarini e de Hermínia Barioni Cezarini. Duas irmãs menores, Elza e Alice, completavam a família. Com aproximadamente 9 anos de idade, presenciou um fenômeno espírita que, mais tarde, a levaria para a Doutrina Espírita. Sua mãe sofria de fortes dores nas costas que os médicos não conseguiam identificar e curar. Após um período de sofrimentos, um cozinheiro do estabelecimento de seu pai, de nome Paulo, recomendou que a mesma fosse a um centro espírita que indicou, onde a esposa dele poderia ajudar a resolver o problema. Apesar de terem medo, pois sempre evitaram contato com pessoas ligadas ao Espiritismo, Maria José acompanhou sua mãe Hermínia ao endereço que lhes fora indicado. Lá, uma médium, de nome Dona Guilhermina, ficou tomada por um espírito que estava sofrendo de dores nas costas. O espírito se identificou, dando o nome de José Cezarini. José Cezarini era um irmão do pai da Maria José, que não conhecera e que foi morto por um tiro na revolução de 1932. As dores nas costas de Dona Hermínia eram produzidas involuntariamente por esse espírito com sua aproximação. José Cezarini foi doutrinado e encaminhado e Dona Hermínia se viu curada das dores nas costas. Dona Hermínia passou a freqüentar o centro em questão e a estudar a Doutrina Espírita. José Cezarini foi, então, o grande amigo que encaminhou a família ao Espiritismo. Maria José participou do movimento espírita de Araraquara, com declamações em reuniões festivas, assim como integrante de esquetes montados por sua mãe, juntamente com suas irmãs. Já em São Paulo, para onde a família se transferira, Maria José passou a integrar uma mocidade espírita, a Mocidade Espírita L.A.P.P.A. da Lapa, onde costumava fazer exposições doutrinárias e declamar. Em intercâmbio com a cidade de Santo André, Maria José declamou uma poesia em reunião festiva da 2ª. Semana Espírita de Santo André. Ali conheceu Ary Brasil Marques, integrante da UMESA União da Mocidade Espírita de Santo André, com quem mais tarde se casou, e cujo casamento durou mais de 56 anos. Vieram os filhos, Alfredo, Paulo César, Eliana e Ailton, e posteriormente 6 netos, em família unida pelo amor e pela prática do bem. Maria José participou ativamente do movimento espírita do ABC, sendo uma das fundadoras do Grupo Espírita Joanna de Angelis, onde colaborou em quase todos os seus departamentos. Como médium, passista, expositora, dirigente, membro do Projeto Mãe Maria, sempre se dedicou com muito entusiasmo ao trabalho espiritual. Em várias oportunidades, declamava belas poesias, tais como O Velho Mestre e Francisco de Assis. Em outras, comandava com carinho os passistas nos tratamentos espirituais da casa. Amava a todos, respeitando todas as religiões, que considerava verdadeiros pontos de luz. Acometida por um mal físico, lutou por três anos contra um câncer que veio a atingir os seus pulmões. Sofria, mas nunca reclamava. Jamais blasfemou contra os desígnios de Deus. Quem a visse, sempre sorridente, não imaginava a gravidade de sua doença. Internada por diversas vezes no Hospital A.C.Camargo, sempre procurava conversar e animar os demais pacientes. Maria José nos deixou em 14 de janeiro de 2011, levando com certeza para o plano espiritual uma bagagem enorme de serviços prestados em forma de amor ao próximo, como verdadeira discípula de Jesus. SBC, 07/03/2011.

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