domingo, 6 de abril de 2014

TAREFAS MEDIÚNICAS


TAREFAS MEDIÚNICAS

Durante muito tempo no meio espírita, predominou a ideia, de que o intercâmbio mediúnico para ser considerado realmente autêntico, havia a necessidade de que o mesmo fosse ostensivo ou sem controle por parte do médium, demonstrando dessa forma a sua veracidade e espontaneidade.

Era natural que assim ocorresse, visto que os primeiros núcleos espirituais, em sua grande maioria, haviam nascido nas residências familiares, quase sempre em torno de um médium de potenciais mediúnicos muito acentuados, com uma mediunidade espontânea inconsciente ou de efeitos físicos voltados à cura, ou para a mediunidade receitista que permitisse a melhora e até a cura das enfermidades, demonstrando a lisura do fenômeno, afastando as fraudes possíveis, despertando a crença nas pessoas, em razão dos resultados alcançados.

Posteriormente, os próprios guias e benfeitores que se manifestavam, foram traçando diretrizes para o trabalho mediúnico, com normas que deveriam ser obedecidas, recomendando o estudo das obras existentes, como a Codificação Kardequiana e outras complementares, que elucidassem as dúvidas presentes, mostrassem coerência nas explicações dos fenômenos e, de maneira lógica e racional, o estudo da Doutrina Espírita pouco a pouco foi sendo introduzido nos agrupamentos espíritas substituindo as manifestações ostensivas que causavam impacto para promover o despertamento do indivíduo, e a palavra final do Guia encerrando os trabalhos, que nem sempre contava com recursos dos médiuns, dotados de poucos estudos, para se fazer melhor compreendido nas orientações ditadas, foi sendo substituída pelos estudos, feitos em pequenos grupos ou nas reuniões públicas, com grande proveito para os adeptos e assistidos de modo geral, ficando para o Guia ou Mentor espiritual, a palavra de consolo, a frase estimulante e motivadora para a tarefa, ou, a orientação individual para aqueles que carregam dúvidas de qual trabalho abraçar, ou, aos que se acham em dolorosa quadra da existência terrena, sofrendo enfermidades físicas, desencontros afetivos ou transtornos psíquicos de qualquer natureza, que necessite de uma atenção particular do Benfeitor ou Guia, para retornar a normalidade ou retomar as rédeas da própria vida, com o equilíbrio e harmonia de volta.

Ante o exposto, percebe-se com meridiana clareza, a expansão das tarefas mediúnicas, desdobradas pelo estudo da mediunidade, feitos em grupos pequenos ou salas de aula, além das tarefas do atendimento fraterno, onde após o desabafo das dúvidas e incertezas, que provocam dores e aflições, o assistido é encaminhado para um tratamento com os recursos que a Doutrina Espírita oferece, seja a terapia da magnetização pela imposição das mãos, seja a balsamização fluídica das águas, com a adição de remédios pela equipe espiritual, ou seja, pela terapêutica desobssessiva, onde além dos recursos citados, acontece a terapia da palavra de consolo, ânimo e esclarecimento, capazes de provocar uma catarse no espírito sofredor, liberando ambos, algoz e vítima, enredados pelos laços de amor e ódio do passado, que não foi devidamente equacionado no passado, resultando nas ligações constrangedoras obsessivas do presente, impedindo o progresso evolutivo rumo ao porvir.

Todas estas tarefas mediúnicas, desde a recepção aos assistidos com a distribuição de uma mensagem de esperança à porta do Núcleo Espírita, passando pelo atendimento fraterno, os passes e a fluidificação das águas, os grupos de estudos da Doutrina, as escolas de evangelho para crianças e adultos, as terapias desobssessivas a palestra pública, as vibrações para os enfermos do corpo e da alma, o incentivo para o estudo do evangelho no lar e outras atividades congêneres, precisam ser bem estruturadas, para que as casas espíritas ofereçam este tipo de atendimento a todos os que batem a porta, visto que, as dores e aflições do mundo, mostram uma sociedade cada vez mais desestruturada e sem rumo, com seus problemas e adversidades cada vez mais acentuados, sem saber a quem buscar, e, é um grande desafio os grupos Espíritas, cujas diretrizes encontram-se alicerçadas no Evangelho de Jesus, porém, possuidor de um conhecimento de relevância fundamental, que é a consciência, dos esclarecimentos adquiridos; das consolações possíveis; das possibilidades e dos recursos que o Espiritismo oferece e, dos potenciais mediúnicos hauridos nas tarefas, onde os resultados obtidos falam por si.

As tarefas mediúnicas realizadas com propósitos nobres, são sempre amparadas pelos Nobres Espíritos que compõem a ambiência espiritual de uma Casa Espírita, e objetivam, precipuamente, fornecer mecanismos ao médium, para que ele inicie sua transformação moral, preparando-o para maiores responsabilidades.


José Maria de Medeiros Souza, pelo Espírito Espírita, Jean – Marie Lachelier.

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