sábado, 12 de abril de 2014

OS MÁRTIRES DO AMOR


Difunde-se muito, na atualidade, o conceito equivocado de que, padecer sofrimentos de qualquer natureza, é um sinal indicativo de infelicidade ou atraso moral, como se as pessoas supostamente felizes, já tivessem superado todas as imperfeições e, jamais sofressem qualquer tipo de dores e aborrecimentos, gozando de uma excepcional posição de conforto, isento de qualquer contrariedade.

Ainda perdura culturalmente no homem, embora os notáveis avanços das Ciências, que proporcionam uma excelente qualidade de vida à grande parte da população, a ideia religiosa de felicidade, ligada às benesses de um paraíso de delícias eternas, onde a Bondade Divina acena com a concessão da felicidade sem esforços, sem trabalho, sem contrariedades e sem sofrimentos e, provavelmente sem méritos, para ser usufrutuário disso tudo, sem uma contribuição qualquer por menor que esta seja, em oposição à ideia de estudiosos, pesquisadores e psicólogos, que estabelecem que o homem, de maneira geral, é o resultado daquilo que ele faz de si mesmo.

É fácil comprovação entender, que o sofrimento que provoca padecimentos no indivíduo, decorre normalmente das imperfeições que ele ainda carrega, por ignorância, falta de conhecimentos das injustiças existenciais, rebeldia ou não aceitação dos desafios e impedimentos contingenciais presentes na existência, que nem sempre se apresentam favoráveis, contrariando as expectativas aguardadas, frustrando sonhos e condenando ao fracasso, os projetos de felicidade duradoura que não foram atingidos, deixando em seu lugar um imenso vazio, como se o infortúnio fosse a única herança possível, que restasse ao indivíduo, como fatalidade do destino.

É preciso dilatar o entendimento de que, embora esteja sofrendo, o indivíduo pode encontrar muitas razões ou motivos para ser feliz, ou, pelo menos sentir-se feliz em várias circunstâncias de sua vida, e, por outro lado, também pode suceder, que as razões dos sofrimentos de agora, preparem o terreno, para um possível período de serenidade, paz e relativa felicidade que se vislumbra no porvir.

Além disso, contrariedades, padecimentos, dores e sofrimentos, nem sempre significam atraso moral ou resgate de dívidas do passado, porquanto, os mártires do amor e do ideal do bem ao semelhante, incansáveis batalhadores da compaixão e da solidariedade humana, muito sofreram para edificarem no seio da humanidade a misericórdia, o altruísmo e a solidariedade, a bondade, a caridade e o amor ao próximo, em nome destes ideais que cultivam, sem que isso impedisse a presença da felicidade, visto que estes padecimentos aconteciam em nome do bem e do amor.

Jesus, em certo momento, faz referência nesse sentido dizendo: “E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo amor ao meu nome”, mostrando que aquele que tem amor, tem ideal no bem, certamente sofrerá padecimentos, notadamente quando se tem Jesus como modelo desse ideal, encontrará resistências e dificuldades inúmeras para se fazer compreendido pelos demais, que por não compartilharem da mesma causa, não postulam os mesmos princípios éticos morais, não compreendem tais propósitos nobres, por não possuírem tais preocupações, no entanto, não obstante os imensos obstáculos do caminho, estes idealistas, continuam firmes e perseverantes, sem tréguas, desânimo ou esmorecimento, acumulando dificuldades e padecimentos adversos, porém, felizes e seguros do que fazem, alimentados pela convicção de que sofrem hoje, para garantir no porvir, um amanhã de serenidade e paz, guardando a certeza de que o padecimento é tão somente uma ligeira etapa na infinitude da felicidade.

Esses mártires do amor, encontram-se espalhados por toda a terra, sempre dispostos a autodoação, onde quer que exista alguém, em extrema necessidade, de olhar tímido, com a mão estendida em súplica silenciosa.



Inocência da Caridade

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